GP MAIS DIFÍCIL DA TEMPORADA COM DIREITO A DESIDRATAÇÃO, QUASE DESMAIO E VÔMITO

Calor a nível vento de secador no rosto, desidratação de pilotos, vômito, quase desmaio e batida de Hamilton em Russel, são os destaques desse final de semana no Qatar, considerado pelo pilotos o "GP mais duro da vida"

10/16/2023

O mês de outubro no Qatar não está pra brincadeira. Com sensação térmica a noite passando dos 35ºC e uma sequência de pilotos passando mal, a situação surpreendeu até a Fórmula 1 e o GP foi classificado como o mais desafiador em condições climáticas e físicas desde então.

Em meio a todos os episódios devido ao calor, Max Verstappen ganhou o Grande Prêmio do Qatar, com uma margem de 0,5 segundos de vantagem em cima de Oscar Piastri, seguindo de Lando Norris que ocupou o terceiro lugar.

Com problemas sérios de desidratação Logan Sargent foi obrigado a abandonar a corrida. Ao parar nos boxes o australiano estava tão desidratado que teve que ser ajudado para sair do carro. Logan estava se recuperando de uma gripe que teve no inicio da semana o que ajudou no episódio. Já o seu companheiro que equipe Alex Albon, que de acordo com a equipe por sofrer uma "exposição aguda ao sol" teve que ir direto ao centro médico.

Já Piastri, teve que deitar no chão na anti-sala do pódio. "É claro que está muito quente e úmido. Mas também tem a ver com a natureza da pista. Muitas curvas de alta velocidade, então não há muito tempo para descansar. A reta é o único lugar em que você consegue descansar. Todos esses fatores combinados tornam a situação difícil. E, para mim, nas 30 últimas voltas, não estava brigando com ninguém, então começa a ficar difícil se concentrar." Disse Piastri.

E não para por aí, Esteban Ocon disse que chegou a vomitar dentro do seu capacete no começo da prova. Lance Stroll chegou bastante pálido na área de entrevistas e George Russell achou que iria desmaiar em determinado momento, comparando o calor do vento como se estivesse um secador sobrando ar quente em seu rosto.

Foi, de longe, a corrida mais dura que já experimentei na minha carreira. Cheguei a achar que ia desmaiar. Foi inacreditável. Era como estar dentro de um forno. O ar que vinha no capacete estava tão quente que parecia que alguém estava com o secador de cabelo ligado na minha cara. E nós estávamos acelerando o tempo todo porque tínhamos pneus novos o tempo todo. Foi extremo", definiu Russell.

Foto: Site F1

Foto: Site F1

Russell largou ao lado de Verstappen, ambos com pneus médios, com Hamilton em terceiro no grid. Enquanto Russell e Verstappen disputavam posição na Curva 1, Hamilton tentou fazer uma ultrapassagem em abos, mas acabou batendo em Russell, que estava imprensado entre seu companheiro de equipe e a Red Bull.

Hamilton foi jogado na brita e teve seu pneu traseiro direito destruído, reclamando no rádio que havia sido eliminado por Russell, que conseguiu continuar. De volta ao pit lane ao rever como foi a colisão, Hamilton teve uma visão diferente do ocorrido,

“Obviamente devastador”, disse Hamilton. “Enormes desculpas a todos na fábrica. Acho que provavelmente foi apenas um incidente de corrida. Assumo total responsabilidade por isso. Não acho que George tivesse para onde ir.”

Os comissários chegaram a investigar o incidente após a corrida, mas decidiram que nenhuma ação era necessária, considerando-o um incidente típico da “Volta 1, Curva 1”.

“Fiquei muito decepcionado por nós dois, porque conversamos esta manhã, sabíamos que iríamos trabalhar juntos, e ambos dissemos que ambos queríamos subir naquele pódio, não importa a ordem, estamos aqui pela equipe. Eu sei que não houve nada intencional, nos dois sentidos. Ainda estou feliz por termos conseguido terminar à frente da Ferrari, conseguir mais alguns pontos no placar e termos um carro de corrida rápido, então vamos apenas considerar os aspectos positivos.”

Ele ainda acrescentou: “Temos muito respeito um pelo outro. É muito difícil nesses carros de F1 ver quando há certos pontos cegos no carro. Claro, isso nunca deveria acontecer. Conversaremos e partiremos daí.”

O diretor de comunicações da Mercedes, Bradley Lord, descreveu a situação como o “pior começo possível” ao opinar sobre o que aconteceu entre os pilotos na pista.

“Discutimos isso pela manhã, então foi um cenário pelo qual passamos, o desempenho diferente dos pneus iniciais e coisas assim”, disse ele. “Acho que naquele momento todos ficaram sem espaço. George obviamente não tinha para onde ir e Lewis estava tentando seguir sua linha. Infelizmente essas coisas podem acontecer e não dá para programar tudo nem com uma discussão prévia. Falaremos sobre isso depois, passaremos por isso e aprenderemos o que pudermos para que isso nunca aconteça novamente.”

Se tratando de pneus, a FIA decidiu limitar o número de voltas dadas por jogos de pneus para 18. Tudo isso depois que a Pirelli encontrou sinais de separação entre os compostos e a carcaça do pneu, causados pelo tempo e carga colocada em determianadas zebras. Com isso os pilotos fizeram três paradas e andaram em ritmo mais forte.

Outra dificuldade que alguns pilotos tiveram no GP do Qatar, foi se manterem dentro da pista. Quatro pilotos receberam 10 punições por não respeitarem os limites de pista. Leclerc citou que os fatores físicos atrapalharam a concentração, mas as mudanças que foram feitas na pista para proteger os pneus por conta dos problemas encontrados pela Pirelli, só atrapalhou.

"Você sente a vibração da zebra para saber onde está na pista muitas vezes, e como eles puxaram a linha branca em 80cm, você não passava mais na zebra e tinha que controlar no olho. Você chega na curva a 280km/h e estamos falando de centímetros."